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Conselho Provincial 2021-2024

No decorrer da Assembleia Provincial electiva que teve lugar em Fátima, entre 6 e 7 de Novembro, foi eleito um novo Conselho Provincial das Fraternidades Leigas Dominicanas que ficou assim composto:

Presidente: Cristina Busto

Vice-Presidente: Luis Santos

Secretária: Maria de Lurdes Santos

Administradora: Filomena Piçarra

Formador: Gabriel Silva


Pregador da Graça: Carta do Papa Francisco ao Mestre da Ordem por ocasião do 800º aniversário do falecimento de São Domingos

Ao Irmão Gerard Francisco Timoner, O.P,

Mestre Geral da Ordem dos Pregadores

Praedicator Gratiae: entre os títulos atribuídos a São Domingos, o de “Pregador da Graça” destaca-se pela sua consonância com o carisma e a missão da Ordem por ele fundada. Neste ano que marca o oitocentenário da morte de S. Domingos, associo-me de bom grado aos frades pregadores para agradecer a fecundidade espiritual desse carisma e missão, vista na rica variedade da família dominicana, tal como tem crescido ao longo dos séculos. As minhas saudações orantes e bons votos vão para todos os membros dessa grande família, que abraça as vidas contemplativas e obras apostólicas das suas freiras e irmãs religiosas, das suas fraternidades sacerdotais e leigas, dos seus institutos seculares e dos seus movimentos juvenis.

Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate expressei a minha convicção de que “cada santa é uma missão, planeada pelo Pai para reflectir e encarnar, num momento específico da história, um certo aspecto do Evangelho” (n.º 19). Domingos respondeu à necessidade urgente do seu tempo não só de uma pregação renovada e vibrante do Evangelho, mas, igualmente importante, de um testemunho convincente do seu apelo à santidade na comunhão viva da Igreja. No espírito de toda a verdadeira reforma, ele procurou um regresso à pobreza e simplicidade da mais antiga comunidade cristã, reunida em torno dos apóstolos e fiel ao seu ensinamento (cf. Actos 2,42). Ao mesmo tempo, o seu zelo pela salvação das almas levou-o a formar um corpo de pregadores empenhados, cujo amor pela Sagrada Escritura e integridade de vida podia iluminar as mentes e aquecer os corações com a verdade vivificante da palavra divina.

Na nossa época, caracterizada por mudanças de época e novos desafios à missão evangelizadora da Igreja, Domingos pode assim servir de inspiração a todos os baptizados, que são chamados, como discípulos missionários, a alcançar cada “periferia” do nosso mundo com a luz do Evangelho e o amor misericordioso de Cristo. Ao falar da perene actualidade da visão e do carisma de São Domingos, o Papa Bento XVI lembrou-nos que “no coração da Igreja, um fogo missionário deve arder sempre” (Audiência de 3 de Fevereiro de 2010).

O grande apelo de Domingos era a pregação do Evangelho do amor misericordioso de Deus em toda a sua verdade salvífica e poder redentor. Como estudante em Palência, veio a apreciar a inseparabilidade da fé e da caridade, da verdade e do amor, da integridade e da compaixão. Como nos diz o Beato Jordão da Saxónia, tocado pelos que sofriam e morriam durante uma grave fome, Domingos vendeu os seus preciosos livros e, com uma bondade exemplar, estabeleceu um centro de esmolas onde os pobres podiam ser alimentados (Libellus, 10). O seu testemunho da misericórdia de Cristo e o seu desejo de levar o seu bálsamo de cura àqueles que experimentavam a pobreza material e espiritual foi inspirar a fundação da sua Ordem e moldar a vida e o apostolado de inúmeros dominicanos em tempos e lugares variados. A unidade da verdade e da caridade encontrou talvez a sua melhor expressão na escola dominicana de Salamanca, e particularmente na obra de Frei Francisco de Vitória, que propôs um quadro de direito internacional fundamentado nos direitos humanos universais. Isto, por sua vez, forneceu o fundamento filosófico e teológico para os esforços heróicos dos frades António Montesinos e Bartolomeu de Las Casas nas Américas, e Domingo de Salazar na Ásia para defender a dignidade e os direitos dos povos nativos.

A mensagem evangélica da nossa inalienável dignidade humana como filhos de Deus e membros da única família humana desafia a Igreja nos nossos dias a reforçar os laços de amizade social, a superar estruturas económicas e políticas injustas, e a trabalhar para o desenvolvimento integral de cada indivíduo e povo. Fiéis à vontade do Senhor, e impelidos pelo Espírito Santo, os seguidores de Cristo são chamados a cooperar em todos os esforços “para dar à luz um mundo novo, onde todos nós somos irmãos e irmãs, onde há lugar para todos aqueles que as nossas sociedades descartam, onde a justiça e a paz são resplandecentes” (Fratelli Tutti, 278). Que a Ordem dos Pregadores, agora como então, esteja na vanguarda de uma proclamação renovada do Evangelho, que possa falar ao coração dos homens e mulheres do nosso tempo e despertar neles a sede da vinda do reino de santidade, justiça e paz de Cristo!

O zelo de São Domingos pelo Evangelho e o seu desejo de uma vida genuinamente apostólica levaram-no a sublinhar a importância da vida em comum. Mais uma vez, o Beato Jordão da Saxónia diz-nos que, ao fundar a sua Ordem, Domingos escolheu significativamente “ser chamado, não sub-prior, mas Irmão Domingos” (Libellus, 21). Este ideal de fraternidade era encontrar expressão numa forma de governação inclusiva, em que todos partilhassem o processo de discernimento e tomada de decisões, de acordo com as suas respectivas funções e autoridade, através do sistema de capítulos a todos os níveis. Este processo “sinodal” permitiu à Ordem adaptar a sua vida e missão a contextos históricos em mudança, mantendo ao mesmo tempo a comunhão fraterna. O testemunho da fraternidade evangélica, como testemunho profético do plano último de Deus em Cristo para a reconciliação e unidade de toda a família humana, continua a ser um elemento fundamental do carisma dominicano e um pilar do esforço da Ordem para promover a renovação da vida cristã e a difusão do Evangelho no nosso próprio tempo.

Juntamente com São Francisco de Assis, Domingos compreendeu que a proclamação do Evangelho, verbis et exemplo, implicava a construção de toda a comunidade eclesial em unidade fraterna e discipulado missionário. O carisma dominicano da pregação transbordou cedo para o estabelecimento dos vários ramos da grande família dominicana, abrangendo todos os estados de vida da Igreja. Nos séculos seguintes, encontrou expressão eloquente nos escritos de Santa Catarina de Sena, nos quadros do Beato Fra Angélico e nas obras de caridade de Santa Rosa de Lima, Beato João Macias e Santa Margarida de Castello. Assim também, no nosso tempo, continua a inspirar o trabalho de artistas, estudiosos, professores e comunicadores. Neste ano de aniversário, não podemos deixar de recordar os membros da família dominicana cujo martírio foi em si mesmo uma poderosa forma de pregação. Ou os inúmeros homens e mulheres que, imitando a simplicidade e compaixão de São Martinho de Porres, trouxeram a alegria do Evangelho às periferias das sociedades e ao nosso mundo. Aqui penso em particular no testemunho silencioso dado pelos muitos milhares de leigos dominicanos e membros do Movimento da Juventude Dominicana, que reflectem o papel importante e mesmo indispensável dos leigos na obra de evangelização.

No Jubileu do nascimento de São Domingos para a vida eterna, gostaria de expressar de uma forma particular a minha gratidão aos Frades Pregadores pela notável contribuição que deram para a pregação do Evangelho através da exploração teológica dos mistérios da fé. Ao enviar os primeiros frades para as universidades emergentes na Europa, Domingos reconheceu a importância vital de proporcionar aos futuros pregadores uma sólida e sólida formação teológica baseada na Sagrada Escritura, respeitadora das questões colocadas pela razão, e preparada para se envolver num diálogo disciplinado e respeitoso ao serviço da revelação de Deus em Cristo. O apostolado intelectual da Ordem, as suas numerosas escolas e institutos de ensino superior, o seu cultivo das ciências sagradas e a sua presença no mundo da cultura têm estimulado o encontro entre fé e razão, alimentado a vitalidade da fé cristã e avançado a missão da Igreja de atrair mentes e corações para Cristo. Também a este respeito, só posso renovar a minha gratidão pela história de serviço da Ordem à Sé Apostólica, que remonta ao próprio Domingos.

Durante a minha visita a Bolonha há cinco anos, fui abençoado por passar alguns momentos em oração diante do túmulo de São Domingos. Rezei de uma forma especial pela Ordem dos Pregadores, implorando pelos seus membros a graça da perseverança na fidelidade ao seu carisma fundador e à esplêndida tradição de que são herdeiros. Ao agradecer ao Santo por todo o bem que os seus filhos e filhas realizam na Igreja, pedi, como um dom particular, um aumento considerável das vocações sacerdotais e religiosas.

Que a celebração do Ano Jubilar possa derramar abundantes graças sobre os frades pregadores e toda a família dominicana, e que abrace uma nova primavera do Evangelho. Com grande afecto, recomendo a todos os que participam nas celebrações jubilares à amorosa intercessão de Nossa Senhora do Rosário e do vosso patriarca São Domingos, e concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica como penhor de sabedoria, alegria e paz no Senhor.

Francisco

Dado em Roma, São João de Latrão, a 24 de Maio de 2021


Carta Apostólica que institui o Ministério de Catequista

CARTA APOSTÓLICA
SOB FORMA DE «MOTU PROPRIO»

DO SUMO PONTÍFICE
FRANCISCO

ANTIQUUM MINISTERIUM

PELA QUAL SE INSTITUI O
 MINISTÉRIO DE CATEQUISTA

1. MINISTÉRIO ANTIGO é o de Catequista na Igreja. Os teólogos pensam, comumente, que se encontram os primeiros exemplos já nos escritos do Novo Testamento. A primeira forma, germinal, deste serviço do ensinamento achar-se-ia nos «mestres» mencionados pelo apóstolo Paulo ao escrever à comunidade de Corinto: «E aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo, profetas; em terceiro, mestres; em seguida, há o dom dos milagres, depois o das curas, o das obras de assistência, o de governo e o das diversas línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Fazem todos milagres? Possuem todos o dom das curas? Todos falam línguas? Todos as interpretam? Aspirai, porém, aos melhores dons. Aliás vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa todos os outros» (1 Cor 12, 28-31).

O próprio Lucas afirma, na abertura do seu Evangelho: «Resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los [os factos que entre nós se consumaram] a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído» (Lc 1, 3-4). O evangelista parece bem ciente de estar a fornecer, com os seus escritos, uma forma específica de ensinamento que permite dar solidez e vigor a quantos já receberam o Batismo. E voltando ao mesmo tema, o apóstolo Paulo recomenda aos Gálatas: «Mas quem está a ser instruído na Palavra esteja em comunhão com aquele que o instrui, em todos os bens» (Gal 6, 6). Como se vê, o texto acrescenta uma peculiaridade fundamental: a comunhão de vida como caraterística da fecundidade da verdadeira catequese recebida.

2. Desde os seus primórdios, a comunidade cristã conheceu uma forma difusa de ministerialidade, concretizada no serviço de homens e mulheres que, obedientes à ação do Espírito Santo, dedicaram a sua vida à edificação da Igreja. Os carismas, que o Espírito nunca deixou de infundir nos batizados, tomaram em certos momentos uma forma visível e palpável de serviço à comunidade cristã nas suas múltiplas expressões, chegando ao ponto de ser reconhecido como uma diaconia indispensável para a comunidade. E assim o interpreta o apóstolo Paulo, com a sua autoridade, quando afirma: «Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo; há diversos modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum. A um é dada, pela ação do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, no único Espírito; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Tudo isto, porém, o realiza o único e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um, conforme lhe apraz» (1 Cor 12, 4-11).

Por conseguinte é possível reconhecer, dentro da grande tradição carismática do Novo Testamento, a presença concreta de batizados que exerceram o ministério de transmitir, de forma mais orgânica, permanente e associada com as várias circunstâncias da vida, o ensinamento dos apóstolos e dos evangelistas (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 8). A Igreja quis reconhecer este serviço como expressão concreta do carisma pessoal, que tanto favoreceu o exercício da sua missão evangelizadora. Olhar para a vida das primeiras comunidades cristãs, que se empenharam na difusão e progresso do Evangelho, estimula também hoje a Igreja a perceber quais possam ser as novas expressões para continuarmos a permanecer fiéis à Palavra do Senhor, a fim de fazer chegar o seu Evangelho a toda a criatura.

3. Toda a história da evangelização destes dois milénios manifesta, com grande evidência, como foi eficaz a missão dos catequistas. Bispos, sacerdotes e diáconos, juntamente com muitos homens e mulheres de vida consagrada, dedicaram a sua vida à instrução catequética, para que a fé fosse um válido sustentáculo para a existência pessoal de cada ser humano. Além disso, alguns reuniram à sua volta outros irmãos e irmãs, que, partilhando o mesmo carisma, constituíram Ordens religiosas totalmente dedicadas ao serviço da catequese.

Não se pode esquecer a multidão incontável de leigos e leigas que tomaram parte, diretamente, na difusão do Evangelho através do ensino catequístico. Homens e mulheres, animados por uma grande fé e verdadeiras testemunhas de santidade, que, em alguns casos, foram mesmo fundadores de Igrejas, chegando até a dar a sua vida. Também nos nossos dias, há muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé. A longa série de Beatos, Santos e Mártires catequistas que marcou a missão da Igreja, merece ser conhecida, pois constitui uma fonte fecunda não só para a catequese, mas também para toda a história da espiritualidade cristã.

4. A partir do Concílio Ecuménico Vaticano II, a Igreja apercebeu-se, com renovada consciência, da importância do compromisso do laicado na obra de evangelização. Os Padres conciliares reafirmaram várias vezes a grande necessidade que há, tanto para a implantação da Igreja como para o crescimento da comunidade cristã, do envolvimento direto dos fiéis leigos nas várias formas em que se pode exprimir o seu carisma. «É digno de elogio aquele exército com tantos méritos na obra das missões entre pagãos, o exército dos catequistas, homens e mulheres, que, cheios do espírito apostólico, prestam com grandes trabalhos uma ajuda singular e absolutamente necessária à expansão da fé e da Igreja. Hoje em dia, em razão da escassez de clero para evangelizar tão grandes multidões e exercer o ministério pastoral, o ofício dos catequistas tem muitíssima importância» (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Ad gentes, 17).

A par do rico ensinamento conciliar, é preciso referir o interesse constante dos Sumos Pontífices, do Sínodo dos Bispos, das Conferências Episcopais e dos vários Pastores, que, no decorrer destas décadas, imprimiram uma notável renovação à catequese. O Catecismo da Igreja Católica, a Exortação apostólica Catechesi tradendae, o Diretório Catequístico Geral, o Diretório Geral da Catequese, o recente Diretório da Catequese, juntamente com inúmeros Catecismos nacionais, regionais e diocesanos são expressão do valor central da obra catequística, que coloca em primeiro plano a instrução e a formação permanente dos crentes.

5. Sem diminuir em nada a missão própria do Bispo – de ser o primeiro Catequista na sua diocese, juntamente com o presbitério que partilha com ele a mesma solicitude pastoral – nem a responsabilidade peculiar dos pais relativamente à formação cristã dos seus filhos (cf. CIC cân. 774 §2; CCEO cân. 618), é necessário reconhecer a presença de leigos e leigas que, em virtude do seu Batismo, se sentem chamados a colaborar no serviço da catequese (cf. CIC cân. 225; CCEO câns. 401 e 406). Esta presença torna-se ainda mais urgente nos nossos dias, devido à renovada consciência da evangelização no mundo contemporâneo (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 163-168) e à imposição duma cultura globalizada (cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti100.138), que requer um encontro autêntico com as jovens gerações, sem esquecer a exigência de metodologias e instrumentos criativos que tornem o anúncio do Evangelho coerente com a transformação missionária que a Igreja abraçou. Fidelidade ao passado e responsabilidade pelo presente são as condições indispensáveis para que a Igreja possa desempenhar a sua missão no mundo.

Despertar o entusiasmo pessoal de cada batizado e reavivar a consciência de ser chamado a desempenhar a sua missão na comunidade requer a escuta da voz do Espírito que nunca deixa faltar a sua presença fecunda (cf. CIC cân. 774 §1; CCEO cân. 617). O Espírito chama, também hoje, homens e mulheres para irem ao encontro de tantas pessoas que esperam conhecer a beleza, a bondade e a verdade da fé cristã. É tarefa dos Pastores sustentar este percurso e enriquecer a vida da comunidade cristã com o reconhecimento de ministérios laicais capazes de contribuir para a transformação da sociedade através da «penetração dos valores cristãos no mundo social, político e económico» (Evangelii gaudium, 102).

6. O apostolado laical possui, indiscutivelmente, uma valência secular. Esta exige «procurar o Reino de Deus, tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 31). A sua vida diária é tecida de encontros e relações familiares e sociais, o que permite verificar como «são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que, só por meio deles, ela pode ser o sal da terra» (Lumen gentium, 33). Entretanto é bom recordar que, além deste apostolado, «os leigos podem ainda ser chamados, por diversos modos, a uma colaboração mais imediata no apostolado da Hierarquia, à semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no Evangelho, trabalhando muito no Senhor» (Lumen gentium, 33).

No entanto, a função peculiar desempenhada pelo Catequista especifica-se dentro doutros serviços presentes na comunidade cristã. Com efeito, o Catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada batizado esteja sempre pronto «a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça» (cf. 1 Ped 3, 15). O Catequista é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade (cf. Cons. Pont. para a Promoção da Nova Evangelização, Diretório da Catequese,113).

7. Com grande clarividência, São Paulo VI emanou a Carta apostólica Ministeria quaedam tendo em vista não só adaptar ao novo momento histórico os ministérios de Leitor e Acólito (cf. Carta ap. Spiritus Domini), mas também pedir às Conferências Episcopais para promoverem outros ministérios, entre os quais o de Catequista: «Além destes ministérios comuns a toda a Igreja Latina, nada impede que as Conferências Episcopais peçam outros à Sé Apostólica, se, por motivos particulares, julgarem a sua instituição necessária ou muito útil na sua região. Tais são, por exemplo, as funções de Ostiário, de Exorcista e de Catequista». O mesmo instante convite voltava na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi, quando, ao pedir para saber ler as exigências atuais da comunidade cristã numa continuidade fiel com as origens, exortava a encontrar novas formas ministeriais para uma pastoral renovada: «Tais ministérios, novos na aparência mas muito ligados a experiências vividas pela Igreja ao longo da sua existência – por exemplo, o de Catequista (…) – , são preciosos para a implantação, a vida e o crescimento da Igreja e para a sua capacidade de irradiar a própria mensagem à sua volta e para aqueles que estão distantes» (São Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 73).

Com efeito, não se pode negar que «cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja. Embora não suficiente, pode-se contar com um numeroso laicado, dotado de um arreigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração da fé» (Evangelii gaudium, 102). Por conseguinte, receber um ministério laical como o de Catequista imprime uma acentuação maior ao empenho missionário típico de cada um dos batizados que, no entanto, deve ser desempenhado de forma plenamente secular, sem cair em qualquer tentativa de clericalização.

8. Este ministério possui uma forte valência vocacional, que requer o devido discernimento por parte do Bispo e se evidencia com o Rito de instituição. De facto, é um serviço estável prestado à Igreja local de acordo com as exigências pastorais identificadas pelo Ordinário do lugar, mas desempenhado de maneira laical como exige a própria natureza do ministério. Convém que, ao ministério instituído de Catequista, sejam chamados homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação ativa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé, e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Christus Dominus, 14; CIC cân. 231 §1; CCEO cân. 409 §1). Requer-se que sejam colaboradores fiéis dos presbíteros e diáconos, disponíveis para exercer o ministério onde for necessário e animados por verdadeiro entusiasmo apostólico.

Assim, depois de ter ponderado todos os aspetos, em virtude da autoridade apostólica,

instituo

ministério laical de Catequista.

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos providenciará, dentro em breve, a publicação do Rito de Instituição do ministério laical de Catequista.

9. Convido, pois, as Conferências Episcopais a tornarem realidade o ministério de Catequista, estabelecendo o iter formativo necessário e os critérios normativos para o acesso ao mesmo, encontrando as formas mais coerentes para o serviço que estas pessoas serão chamadas a desempenhar em conformidade com tudo o que foi expresso por esta Carta Apostólica.

10. Os Sínodos das Igrejas Orientais ou as Assembleias dos Hierarcas poderão receber quanto aqui estabelecido para as respetivas Igrejas sui iuris, com base no próprio direito particular.

11. Os Pastores não cessem de abraçar esta exortação que lhes recordavam os Padres conciliares: «Sabem que não foram instituídos por Cristo para se encarregarem por si sós de toda a missão salvadora da Igreja para com o mundo, mas que o seu cargo sublime consiste em pastorear  de tal modo os fiéis e de tal modo reconhecer os seus serviços e carismas, que todos, cada um segundo o seu modo próprio, cooperem na obra comum» (Lumen gentium, 30). O discernimento dos dons que o Espírito Santo nunca deixa faltar à sua Igreja seja para eles o apoio necessário para tornar concreto o ministério de Catequista para o crescimento da própria comunidade.

Quanto estabelecido por esta Carta Apostólica em forma de “Motu proprio”, ordeno que tenha vigor firme e estável, não obstante qualquer coisa em contrário ainda que digna de menção particular, e que seja promulgado mediante publicação no jornal L’Osservatore Romano, entrando em vigor no mesmo dia, e publicado depois no órgão oficial Acta Apostolicae Sedis.

Dado em Roma, junto de São João de Latrão, na Memória litúrgica de São João de Ávila, Presbítero e Doutor da Igreja, dia 10 de maio do ano de 2021, nono do meu pontificado.

Francisco


Ano Família Amoris Laetitia 2021-2022

Para saber mais:

  1. brochura de apresentação
  2. Projecto

 


Irmã Maria Domingos (1936-2021)

Do site Retalhos da vida de um frade, do fr. Fiipe Rodrigues, retiramos o seguinte texto referente à Irª Maria Domingos:

«Faleceu hoje, na sequência do Covid, a Irmã Maria Domingos, monja dominicana, fundadora do Mosteiro do Lumiar, encerrado há poucos anos. A Ir. Maria Domingos nasceu a 26 de Fevereiro de 1936. Ingressou no mosteiro de Fátima, onde fez o seu noviciado como monja dominicana. De lá partiu para o Porto, para o mosteiro dominicano que então havia lá. Em 1982, juntamente com outras irmãs, depois de terem passado algum tempo em Prouille (primeiro mosteiro da Ordem) fundam o mosteiro do Lumiar, propriedade que pertencia aos frades dominicanos irlandeses. A Ir. Maria Domingos distinguiu-se sempre pela sua forma de estar na Igreja e no mundo: simplicidade, humildade, discrição e muita alegria. Prioresa durante alguns mandatos foi sempre a alma do mosteiro, abrindo as suas portas e portões às várias pessoas e grupos que viam no mosteiro um lugar de acolhimento e de paz. Como a beleza está muito ligada à simplicidade, juntamente com as irmãs da sua comunidade cuidaram sempre, muito e bem, do exterior e do interior do mosteiro. Ensinaram-nos que a beleza está nos pequenos gestos, que o acolhimento é sempre mais belo que a recusa, que há mais alegria em dar do que em receber, que ser contemplativo é um acto de união com Deus e com as pessoas. Aquela comunidade foi um sinal do que significa viver do trabalho: os doces que fabricavam, os livros que vendiam, as conferências que promoviam, a arte que disponibilizavam fez delas uma verdadeira casa de pregação. A Ordem Dominicana deve-lhe muito e nós, dominicanos, também muito lhe devemos. Acreditamos que quando morremos voltamos para junto de Deus. Para nós, dominicanos, é mesmo ver face-a-face Aquele que contemplámos e pregámos. Que agora, junto de Deus, viva na alegria que não tem fim».


Dominicanos pela paz

51 ligações e cerca de 65 pessoas participaram no evento realizado no dia 5 de Dezembro pela equipe de Justiça e Paz relativo ao Mês Dominicano para a Paz, este ano dedicado à difícil situação na Ucrânia.

O evento realizado através da plataforma zoom iniciou-se com um cântico apresentado pelo Fr. José Manuel Silva, e uma introdução pelo Promotor de Justiça e Paz da Província frei Rui Grácio e saudação da Presidente do Conselho da Família Dominicana, Aurora Rocha. O Prior Provincial Fr. José Nunes fez uma apresentação sobre a relevância e centralidade da questão da paz no âmbito da missão dominicana. Seguiu-se uma leitura do profeta Isaías pelas Fraternidades Leigas de São Domingos e um Salmo rezado pelas Irmãs de Santa Catarina de Sena. O Evangelho foi proclamado pelas irmãs Missionárias do Rosário.

O frei Vasyl Goral, frade dominicano da nossa província, mas nascido na Ucrânia fez uma muito elucidativa conferência explicando as origens e actual situação na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, bem como as questões internas ucranianas e a questão das minorias pró-russas e suas implicações mesmo ao nível das diferentes igrejas cristãs. Os participantes rezaram em comum o Pai-Nosso seguindo-se uma apresentação de uma iniciativa de apoio a quem mais sofre, que são as crianças na Ucrânia, vítimas da guerra e em que os dominicanos ucranianos (frades, irmãs e leigos) estão envolvidos. O evento terminou com uma oração partilhada pelo Movimento Juvenil Dominicano e um cântico final.


Convite

A Comunidade das monjas da Nossa Senhora da Eucaristia, em Lamego, faz participar aos nossos amigos , benfeitores e irmãs na religião da missa de Acção de graças das nossas duas irmãs: Madre Vitória e Irmã Conceição, apesar das circunstâncias difíceis que nos envolvem. estamos todos unidos em Cristo:  No dia 8 de Dezembro pelas 8:30 no período da manhã.

Ir. Maria da Glória OP


Lançamento de livro de Fr. Gonçalo Diniz

 
 
O Fr, Gonçalo Diniz, actual Prior do Convento do Porto, defendeu com êxito, o ano passado, a sua tese de doutoramento. Ela foi agora publicada pela Universidade Católica, com o título «O clamor do não-homem», e o lançamento público será on-line, dia 3 de Dezembro, às 18h. O Professor da UCP Jorge Cunha fará a apresentação do livro.
 
Os interessados em participar no evento de lançamento poderão inscrever-se aqui.
 
Fr. José Nunes op.

 

 


Frei Pedro (19/03/1940 — 09/11/2020)

Afinal, os seus olhos já eram o céu e o seu sorriso eternidade. A sua bondade era a esperança que nos guiava, corrigia, que nos interpelava para sermos melhores.

Por vezes, a sua presença pacificadora bastava, para devolver-nos a paz.

Escutava como ninguém e constantemente dizia-nos para escutar. Escutar verdadeiramente, com cuidado e tempo oferecido, como quem se põe no lugar do outro.

Mas não era só o escutar, era a acção concreta, era a construção de pontes, era a abertura ao diálogo e à ponderação.

Era serenidade, sensatez, simplicidade.

O importante para si era cuidar do rebanho, de ovelhas ou de homens, chamá-lo pelo nome, alegremente, com a doçura e proximidade que a relação provoca.

Era a imagem de Jesus. Era a santidade concreta. Era a alegria interior de quem vive para e com Deus.

Era paciência. Era tanta paciência, daquela carregada de paz e entrega!

Era abandono, desapego. Era fé, esperança e caridade.

Ficamos infinitamente mais pobres, mas incrivelmente ricos com o testemunho de vida que nos deixa.

Meu tão querido Frei Pedro, obrigada. Obrigada.

Leonor Mexia Kendall

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Faleceu esta manhã, no Porto, o m/ querido Frei Pedro O.P.

 Alguns de vós tê-lo-ão conhecido mais vaga ou superficialmente; outros terão podido sentir a doçura do seu sereno, quase tímido, olhar.

 Numa ordem religiosa de pregadores brilhantes, ele era um discreto e sólido porto seguro, o mais fiel rosto de Deus Pai. Assentava-lhe bem o nome que escolheu. Não que fosse uma espécie de calhau frio, mas, antes, como que um penedo, sólido, que nos apontava o céu e sobre o qual poderíamos construir uma comunidade; fosse uma simples e juvenil Equipa de São Domingos, fosse um convento, fosse uma vasta província de uma grande ordem religiosa.

 Não lhe faltavam dotes de pregador, mas não eram eles que sobressaíam…, sereno, calmo, afável, sempre acolhedor, humilde, poderia passar discreto, poderia alguém não reparar nele, mas, quem reparasse, descobria um tesouro.

 Como escreveu a sobrinha ao dar a triste notícia, o seu «sorriso amigo, o espírito alegre e o olhar que transmitia paz permanecerá sempre nos nossos corações». Justamente; sem dúvida, permanecerá no meu! Com uma enorme saudade.

 Concluiu a sua longa jornada, particularmente difícil na sua parte final do percurso. Como semeador da parábola, foi deixando cair sementes ao longo do caminho. Agora concluiu-o e chegou à casa do Pai. A lágrima que verto não é por ele, é por mim, porque não o visitei enquanto peregrino; nem enquanto doente. Mas ele, sim, esteve presente quando o chamei.

 Em Algés, a missa das 19:00h hoje, dia do S/ passamento, será celebrada por intenção dele. Não creio que ele careça de grande sufrágio, mas, orando por sua intenção evocarei(mos) o S/ testemunho e rezaremos por nós próprios e pela falta que ele nos faz.

 Pedro Cruz, 2020/11/09

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(…)O seu bom-humor parecia nascer da alegria transbordante de ter Cristo como irmão e de reflectir na relação com qualquer pessoa a mesma fraternidade. Foi das pessoas que mais me ensinou sobre o que é ser cristão no quotidiano, sem precisar de dizer nada, dando o exemplo sem na verdade o procurar dar. Foi um homem bom e discreto nessa bondade. Talvez porque soubesse que essa bondade não era “dele”, era de Deus. (…)confesso que em tempos recentes pensava que ainda o voltaria a ver, recuperado. Assim não foi. O fr. Pedro partiu hoje deste mundo para outra morada, mas permanecerá connosco. Que Deus o acolha.

Sérgio Dias Branco, op

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Bem aventurados os puros de coração, os que reconhecem no mundo e nos outros a bondade que transfigura o seu olhar, os simples e humildes (tão humildes), os acolhedores e facilitadores, os que confiam sem reservas e sabem que a missão do reino é mesa e responsabilidade partilhadas. Bem aventurados os que se apagam e se tornam despercebidos para que outros brilhem quando esse é o bem maior.

Querido Frei Pedro,

Não esquecerei como fez da sua a minha casa, no dia da minha Missa Nova, e aceitou estar como um mais, como um convidado.

Não me esqueço do espaço dado em alguns momentos para que pudesse levar “aos seus” um pouco do carisma que me guia. Sem reservas, em escondimento e alegria sincera.

A Igreja da terra perde um homem bom que estará no céu a fazer-nos bem, sorrindo e sem barulho.

Aleluia.

José Mª Brito, SJ


Fratelli Tutti – Encíclica

CARTA ENCÍCLICA
FRATELLI TUTTI
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE A FRATERNIDADE
E A AMIZADE SOCIAL