Lançamento de livro de Fr. Gonçalo Diniz

 
 
O Fr, Gonçalo Diniz, actual Prior do Convento do Porto, defendeu com êxito, o ano passado, a sua tese de doutoramento. Ela foi agora publicada pela Universidade Católica, com o título «O clamor do não-homem», e o lançamento público será on-line, dia 3 de Dezembro, às 18h. O Professor da UCO Jorge Cunha fará a apresentação do livro.
 
Os interessados em participar no evento de lançamento poderão inscrever-se aqui.
 
Fr. José Nunes op.

 

 


Mês Dominicano pela Paz – 2020

 

Tópico: MÊS DOMINICANO DA PAZ
Entrar na reunião Zoom. l~Link: _ t.ly/1MFV
Senha de acesso: 735323

Depois de três anos, o Mês Domnicano pela Paz tornou-se uma parte regular do programa anual da Família Dominicana. No período do Advento 2020, o enfoque será sobre um projecto de crianças dominicanas na Ucrânia.

Desde 2014 e mesmo no meio da escalada da pandemia da COVID-l9, a guerra com a Rússia e os separatistas ainda grassa no regão oriental de Donbass. No entanto, as pessoas em todo o país sentem os impactos da guerra. Os dominicanos estão muito envolvidos em vários processos e projectos que promovem a paz e o acompanhamento das vítimas do conflito. Na busca da paz, os dominicanos na Ucrânia estão a participar em vários projectos para jovens.

Um projecto em particular será o foco do Mês Dominicano pela Paz, para fornecer apoio espiritual e financeiro. Trata-se do Centro St. Martin de Porres em Fastiv, que, há muitos anos, tem vindo a cuidar de crianças socialmente desfavorecidas: órfãos, crianças de rua, crianças doentes e crianças de famílias desfavorecidas. Desde o início das hostilidades na Ucrânia Oriental, o Centro abriu as suas portas a crianças cuja infância foi envenenada pela guerra. Adoptou mais de 220 crianças da zona de combate, e ofereceu-lhes apoio psicológico e espiritual e a oportunidade de recuperarem num ambiente seguro.

O Mês Dominicano para a Paz 2020 começa no Primeiro Domingo do Advento (29 de Novembro), decorre durante todo o mês de Dezembro, e culmina no Dia Mundial da Paz da Igreja, a 1 de Janeiro.


Mês para a Paz – A situação na Ucrânia

 

O Mês Dominicano pela Paz é um evento anual da Família Dominicana, iniciado pelo Mestre da Ordem em 2016, na sequência das celebrações do Jubileu do 800º aniversário da Ordem dos Pregadores, que exigia uma renovação da pregação. No espírito de São Domingos, procura mostrar solidariedade com os homens e mulheres dominicanos que promovem a paz num mundo dilacerado por muitas formas de violência e guerra. Depois de se concentrar na Colômbia em 2017, na República Democrática do Congo em 2018 e na Índia em 2019, o Mês Dominicano pela Paz este ano volta-se para a Europa e apela à solidariedade com a Família Dominicana na Ucrânia.

GUERRA, REPRESSÃO E DESLOCADOS NA UCRÂNIA

Desde Abril de 2014, após a revolução ucraniana, a anexação da Crimeia pela Federação Russa e os protestos de grupos separatistas apoiados pela Rússia que lutam nas regiões de Donetsk e Luhansk do leste da Ucrânia (colectivamente chamados “Donbass”) continuaram. Centenas de cidades e povoações foram ocupadas por tropas lideradas pela Rússia.

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Frei Pedro (19/03/1940 — 09/11/2020)

Afinal, os seus olhos já eram o céu e o seu sorriso eternidade. A sua bondade era a esperança que nos guiava, corrigia, que nos interpelava para sermos melhores.

Por vezes, a sua presença pacificadora bastava, para devolver-nos a paz.

Escutava como ninguém e constantemente dizia-nos para escutar. Escutar verdadeiramente, com cuidado e tempo oferecido, como quem se põe no lugar do outro.

Mas não era só o escutar, era a acção concreta, era a construção de pontes, era a abertura ao diálogo e à ponderação.

Era serenidade, sensatez, simplicidade.

O importante para si era cuidar do rebanho, de ovelhas ou de homens, chamá-lo pelo nome, alegremente, com a doçura e proximidade que a relação provoca.

Era a imagem de Jesus. Era a santidade concreta. Era a alegria interior de quem vive para e com Deus.

Era paciência. Era tanta paciência, daquela carregada de paz e entrega!

Era abandono, desapego. Era fé, esperança e caridade.

Ficamos infinitamente mais pobres, mas incrivelmente ricos com o testemunho de vida que nos deixa.

Meu tão querido Frei Pedro, obrigada. Obrigada.

Leonor Mexia Kendall

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Faleceu esta manhã, no Porto, o m/ querido Frei Pedro O.P.

 Alguns de vós tê-lo-ão conhecido mais vaga ou superficialmente; outros terão podido sentir a doçura do seu sereno, quase tímido, olhar.

 Numa ordem religiosa de pregadores brilhantes, ele era um discreto e sólido porto seguro, o mais fiel rosto de Deus Pai. Assentava-lhe bem o nome que escolheu. Não que fosse uma espécie de calhau frio, mas, antes, como que um penedo, sólido, que nos apontava o céu e sobre o qual poderíamos construir uma comunidade; fosse uma simples e juvenil Equipa de São Domingos, fosse um convento, fosse uma vasta província de uma grande ordem religiosa.

 Não lhe faltavam dotes de pregador, mas não eram eles que sobressaíam…, sereno, calmo, afável, sempre acolhedor, humilde, poderia passar discreto, poderia alguém não reparar nele, mas, quem reparasse, descobria um tesouro.

 Como escreveu a sobrinha ao dar a triste notícia, o seu «sorriso amigo, o espírito alegre e o olhar que transmitia paz permanecerá sempre nos nossos corações». Justamente; sem dúvida, permanecerá no meu! Com uma enorme saudade.

 Concluiu a sua longa jornada, particularmente difícil na sua parte final do percurso. Como semeador da parábola, foi deixando cair sementes ao longo do caminho. Agora concluiu-o e chegou à casa do Pai. A lágrima que verto não é por ele, é por mim, porque não o visitei enquanto peregrino; nem enquanto doente. Mas ele, sim, esteve presente quando o chamei.

 Em Algés, a missa das 19:00h hoje, dia do S/ passamento, será celebrada por intenção dele. Não creio que ele careça de grande sufrágio, mas, orando por sua intenção evocarei(mos) o S/ testemunho e rezaremos por nós próprios e pela falta que ele nos faz.

 Pedro Cruz, 2020/11/09

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(…)O seu bom-humor parecia nascer da alegria transbordante de ter Cristo como irmão e de reflectir na relação com qualquer pessoa a mesma fraternidade. Foi das pessoas que mais me ensinou sobre o que é ser cristão no quotidiano, sem precisar de dizer nada, dando o exemplo sem na verdade o procurar dar. Foi um homem bom e discreto nessa bondade. Talvez porque soubesse que essa bondade não era “dele”, era de Deus. (…)confesso que em tempos recentes pensava que ainda o voltaria a ver, recuperado. Assim não foi. O fr. Pedro partiu hoje deste mundo para outra morada, mas permanecerá connosco. Que Deus o acolha.

Sérgio Dias Branco, op

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Bem aventurados os puros de coração, os que reconhecem no mundo e nos outros a bondade que transfigura o seu olhar, os simples e humildes (tão humildes), os acolhedores e facilitadores, os que confiam sem reservas e sabem que a missão do reino é mesa e responsabilidade partilhadas. Bem aventurados os que se apagam e se tornam despercebidos para que outros brilhem quando esse é o bem maior.

Querido Frei Pedro,

Não esquecerei como fez da sua a minha casa, no dia da minha Missa Nova, e aceitou estar como um mais, como um convidado.

Não me esqueço do espaço dado em alguns momentos para que pudesse levar “aos seus” um pouco do carisma que me guia. Sem reservas, em escondimento e alegria sincera.

A Igreja da terra perde um homem bom que estará no céu a fazer-nos bem, sorrindo e sem barulho.

Aleluia.

José Mª Brito, SJ


404 – Laicado Dominicano Out/Nov/Dez 2020


Martinho de Porres

 

 

São Martinho de Porres é o santo da humildade.

Popularmente conhecido como Frei Vassoura, este dominicano de Lima, Peru, foi o primeiro mestiço a ser canonizado pela Igreja. Através da sua simplicidade e serviço, conseguiu superar as diferenças e unir as três culturas que viveram juntas no seu tempo, apesar dos conflitos que dificultaram a coexistência na sociedade de Lima no século XVII.

Síntese Biográfica

Martin de Porres nasceu em Lima a 9 de Dezembro de 1579. Era filho de Juan de Porres, um cavaleiro espanhol da Ordem de Calatrava, e de Ana Velázquez, uma panamenha negra livre. Aos doze anos de idade começou a aprender as profissões de cabeleireiro, assistente dentário e medicina natural.

Mais tarde, tornou-se cirurgião. A casa de Martin estava cheia de mendigos e pessoas que não tinham capacidade económica, pois eram atendidos gratuitamente e com muito cuidado pelo famoso barbeiro e cirurgião de Lima.

Ele amava e curava todas as pessoas independentemente da sua origem étnica

Martin decide entrar no convento de Nossa Senhora do Rosário em Lima.  No entanto, devido ao seu estatuto de mulato, entra na comunidade como um “doado”. No convento foi-lhe confiada a tarefa de limpeza; a sua vassoura foi, com a cruz, a grande companheira da sua vida. É por isso que ele era popularmente conhecido como Vassoura.

A 2 de Junho de 1603, fez a sua profissão religiosa e tornou-se um irmão cooperador. Martin destacou-se pelos cuidados que prestou aos doentes. Amava e curava toda a gente sem distinção de origem étnica (índios, espanhóis e negros). Todos os sectores da sociedade de Lima foram por ele atendidos. Ele foi um verdadeiro exemplo de unidade numa sociedade fracturada por vários conflitos.

Martin de Porres morreu em 1639. Os seus restos mortais encontram-se na Basílica de São Domingos em Lima. Foi canonizado em 1962 por João XXIII e é o patrono da Justiça Social e dos irmãos cooperadores dominicanos. O seu mecenato estende-se também aos pobres, cabeleireiros, a associação de limpeza pública, farmacêuticos e enfermeiros e ele é o patrono da Cáritas.

Martin de Porres: o bom religioso

Martin viveu no auge da reforma da Província de São João Baptista e, além disso, foi um ponto de referência muito importante nessa reforma, tornando-se para os seus irmãos um ponto de referência para os bons religiosos. E ele ainda é para nós.

Ao contrário da grande maioria dos santos dominicanos, ele alcançou a santidade sem se destacar como pregador, teólogo, missionário, mártir ou artista. Destacou-se como um religioso que enfrenta a desvantagem de ser pobre, um mulato e um bastardo. Isto só foi exterior porque por dentro era uma pessoa inteligente, trabalhadora e muito caridosa. Referimo-nos ao papel que ele desempenhou e continua a desempenhar na história da espiritualidade da Ordem dos Pregadores.

O que nos pode dizer hoje?

São Martinho é amado por todos, invocado pelos ricos e pobres, pelos doentes e necessitados, pelos homens da ciência e pelos ignorantes. A sua imagem está em casas e hospitais, em livros de orações e livros de estudo. Tudo porque era humilde, obediente, e, como disse João XXIII, “Ele é Martin da Caridade”.

Martin lembra-nos o imenso poder da humildade e do serviço. Num mundo saturado por tantas palavras e imagens, o santo de Lima é uma lembrança constante da validade do exemplo e da grandeza das pequenas acções diárias que podem mudar o ambiente imediato e mesmo o curso da história.


Fratelli Tutti – Encíclica

CARTA ENCÍCLICA
FRATELLI TUTTI
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE A FRATERNIDADE
E A AMIZADE SOCIAL

Oração em Família Dominicana – 7 de Outubro

A 7 de Outubro de 2020, na festa do Santo Rosário, a Família Dominicana é chamada a rezar os Mistérios Gloriosos do Rosário às 20 horas, hora local. Se possível, partilharem a transmissão em directo online.

«Nós oferecemos a Deus estes dias de penitência e oração por estas intenções: em sufrágio por aqueles que morreram durante a pandemia; pelas intenções dos seus familiares enlutados; por aqueles que continuam a sofrer as consequências da pandemia e por aqueles que se dedicam a alivar o seu sofrimento

fr. Gerard Timoner, op
Mestre da Ordem


403 – Laicado Dominicano Agosto/Setembro 2020


18 de Setembro – São Juan Macias

São Juan Macías nasceu em Ribera de Fresno (Badajoz) em 1585. Órfão aos quatro anos, desde muito jovem se dedicou ao ofício de pastor. A sua vida é marcada por uma educação familiar com especial devoção à Virgem Maria, nomeadamente através da recitação do Rosário. Longas horas cuidando de ovelhas permitem que ele adquira hábitos contemplativos. Pensa muito no texto do Apocalipse: “Vi um novo céu e uma nova terra” e identifica-o com as Américas, recentemente descobertas. Emigra para a América do Sul. Num navio mercante chega a Cartagena das Indias (Colômbia) e depois a Lima (Perú). Ali pediu o hábito de irmão cooperador, no convento de Santa Maria Madalena, em 1622, quando tinha trinta e sete anos. A sua vida caracteriza-se por grande pobreza, humildade e caridade, é uma pessoa simples e sempre aberta à mudança de vida. Aprende com os eventos e com a leitura da Palavra de Deus. A sua oração é muito profunda: nela a Virgem Maria e São João Evangelista ajudam-no a encontrar Cristo em permanência. Ele é um irmão muito respeitoso do consenso da comunidade e um trabalhador incansável.

Foi porteiro do convento durante vinte e cinco anos. A partir dessa posição, ele exerce uma incrível obra de caridade material e espiritual com esmolas e com o rosário oferecido pelos próprios pecados e pelos outros e em sufrágio pelas almas do purgatório. Ele também teve muita influência na cidade com seus conselhos. Essa portaria do convento da Madalena torna-se um lugar de comunhão e participação de pobres e enfermos. Lá Juan Macías reza com eles, dá catequese e ajuda nas suas necessidades. A sua acção vai além da recitação conventual. Ele é capaz de treinar um burro que implora esmola com ele. Mais de uma vez, sem guia, vai às casas dos necessitados levando comida. Contemporâneo com São Martinho de Porres e  de santa Rosa de Lima, é também um evangelho vivo do Senhor Jesus. Também como São Martinho, ele corajosamente sofre insultos e calúnias por sua heróica caridade para com os necessitados.

São Juan Macías morreu em Lima em 15 de setembro de 1645. O seu corpo é venerado na Basílica do Rosário. Foi beatificado por Gregório XVI em 1813 e canonizado por Paulo VI em 28 de setembro de 1975.