Fr. Mateus Peres, OP

Luisa CABRAL, Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Europa-América
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PERES, Frei MATEUS Nuno CARDOSO [N. Lisboa, 1933 — 2020 ]
Foi membro activo de um grupo de grande relevo na renovação do catolicismo português. Figura internacional da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), é um dos teólogos de contribuição mais original na renovação da teologia moral na Igreja portuguesa no pós-Concílio Vaticano II. Licenciou-se em Direito em 1956, ano em que ingressou na
Ordem. Como dominicano, estudou em Fátima e em Otava (Canadá). Foi ordenado presbítero em 1962.

Pertenceu, com efeito, a uma geração de católicos que, marcada por preocupações políticas e sociais, constituiu uma referência obrigatória na década de cinquenta-sessenta em Portugal. João Bénard da Costa retrata-a do seguinte modo: «Na JUC, entre os `contestatários havia dois ramos distintos: o dos ‘sociólogos’ (mais bem ‘comportados’ e menos ‘intelectuais’) e o dos ‘vanguardistas’, quer em posições políticas, quer no interior da Acção Católica, quer numa predominante atenção aos fenómenos estéticos mais inconformistas. Esses eram (éramos) […] o Nuno Peres (já então Frei Mateus Cardoso Peres OP), o Nuno Portas, o Nuno Bragança, o Luís Sousa Costa, o Pedro Tamen, o Alberto Vaz da Silva, o M. S. Lourenço, o Cristóvão Pavia, o José Escada, o Manuel de Lucena, o José Domingos Morais, o Duarte Nuno Simões — o Mário Murteira e o Carlos Portas eram a charneira entre os dois grupos» (João B. da Costa, «Meus tempos, meus modos» in Diário de Notícias, «Revista de Livros», 9/11/83,1).

Com alguns entusiastas desse grupo, Frei Mateus C. Peres participou na criação do CCC (Centro Cultural de Cinema – Cineclube de Universitários para uma Cultura Cinematográfica Cristã), que teve o seu início em Novembro de 1956.
Colaborou em O Tempo e o Modo: Revista de Pensamento e Acção — importante espaço de diálogo e confronto de diferentes sensibilidades culturais, políticas e religiosas—, tratando do significado histórico e impacto do Concílio Vaticano II (1963-1965) no «agiornamento» interno da Igreja e na sua relação com o mundo contemporâneo. A problematização teológica introduzida em Portugal por Frei Mateus nos seus estudos — «A Igreja entre Duas Guerras (TM, 16-17, 1964), “Tradição e Progresso” (TM, 18, 1964), “A 4a Sessão: O Concílio e a Igreja”»(TM, 32, 1965) — é hoje considerada pelos analistas dessa época como um contributo único para a compreensão da novidade doutrinal e pastoral do Vaticano II (cfr. tese de licenciatura em Teologia de Nuno E. Ferreira in Lusitânia Sacra, 2.a série, 6, 1994, pp.129/294). O recurso ao pseudónimo Manuel Frade, com que assinou o último destes artigos, revela as dificuldades e limitações que existiam na Igreja portuguesa, então à margem desse acontecimento mundial.

Fez parte da primeira direcção internacional da famosa revista teológica Concilium, editada em português pela Livraria Morais Editora (1965), devido ao empenhamento de A. Alçada Baptista. Era esta a forma de Portugal e o Brasil terem acesso à grande renovação teológica pós-conciliar.

Pertenceu ainda à equipa que, no âmbito das actividades dessa revista, lançou entre nós os «Colóquios para Assinantes», destinados sobretudo a equacionar as questões da Igreja portuguesa à luz de um Concílio por ela praticamente ignorado.
Frei Mateus C. Peres tem dedicado a sua vida à renovação da teologia moral na investigação e no ensino. A partir de 1963, no «Studium Sedes Sapientiae» dos dominicanos, em Fátima; de 1967 a 1972, em Otava; depois no Porto, no ISET, ICHT, finalmente, na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, na sua sede do
Porto e, mais tarde, em Lisboa.

Ocupou vários cargos de relevo na sua Ordem: provincial dos Dominicanos Portugueses de 1977 a 1985, assistente para a Vida Intelectual em toda a Ordem de 1989 a 1993 e provincial, de novo, de 1993 a 1997.

É autor de alguma colaboração em obras colectivas e de inúmeros estudos na área da teologia moral, em revistas como Humanística e Teologia, Communio (v. portuguesa), Cadernos ISTA e outras. Muito apreciado como professor e conferencista, investigou as razões históricas e teóricas que contribuíram para a «má reputação da moral» (sic). Ao
fazer da ética uma construção do sujeito — em «uma visão teológica que faça justiça ao sujeito» —, deu um contributo decisivo para a superação de dois persistentes dilemas da teologia e filosofia moral, subjectivismo/objectivismo e autonomia/teonomia. Esta proposta encontra-se na sua obra fundamental, apresentada como tese de doutoramento em 1987, O Sujeito Moral: Ensaio de Síntese Tomista,1992.


402 – Laicado Dominicamo – Junho/Julho 2020


5º aniversário da «Laudato Si»

Enciclica «Laudato si'» disponível em livro electrónico - Opus Dei

Entre 18 e 24 de maio, os representantes leigos dominicanos na Comissão Internacional Dominicana de Justiça e Paz (IDCJP) convidam todos os leigos dominicanos a celebrar o 5º aniversário da encíclica Laudato Si sobre o desafio das mudanças climáticas que ainda está connosco, apesar de toda a atenção estar de momento sobre o coronavírus.

Queridos irmãos e irmãs em São Domingos,

Os leigos que fazem parte da Comissão Internacional de Justiça e Paz Dominicana esperam que esta carta vos encontrem bem, apesar das consequências do Covid-19, que está afectando grande parte do mundo. Confiamos que podemos superar esse desafio com a ajuda de Deus e com a intercessão de São Domingos.

Com esta mensagem, gostaríamos de iniciar e / ou continuar o diálogo entre os leigos dominicanos e propor que todos participássemos de um projecto para comemorar o quinto aniversário da encíclica Laudato Si ‘, parte do magistério do Papa Francisco sobre a «nosso casa comum».

Entre os dias 18 e 24 de maio, a Semana de Laudato Si ‘será comemorada sob a rubrica  «tudo está linterligado». Desejamos participar da celebração de uma encíclica que suscita iniciativas que despertam as pessoas preocupadas com o planeta e que se envolvem em cooperar umas com as outras para evitar a deterioração e destruição do planeta.

Como você pode participar? Cada um de nós, pessoalmente, com as nossas famílias e as nossas comunidades, pode propor acções concretas.

Algumas sugestões:

# ler e reflectir sobre a Encíclica

# rezar e divulgar a oração especialmente preparada

# realizar todos os dias uma acção concreta que contribua para evitar a destruição do planeta e ajude a sua melhoria

# organizar grupos de pessoas para compartilhar as suas preocupações, iniciativas e projectos

# partilhar textos, fotografias, vídeos que estimularão as pessoas a agir

 

Essas são apenas sugestões, mas estaríamos interessados ​​em conhecer os seus projectos, actividades e outras propostas.

Ficaríamos gratos se você divulgasse esta mensagem a outros leigos dominicanos.

Bênçãos,

Maria Teresa Tenti (Teresita) Argentina e Duncan MacLaren, Escócia

trad. GS/Maia/2020


401 – Laicado Dominicano Maio 2020


Rosário 29 de Abril

ENCONTRO MUNDIAL DO

ROSÁRIO

PARA A FAMÍLIA DOMINICANA

29 DE ABRIL, 21.00 HORAS – 5 MISTÉRIOS GLORIOSOS

 «Exorto a toda a Família Dominicana – frades, monjas, irmãs, leigos, institutos seculares, fraternidades sacerdotais e jovens de todo o mundo a rezar juntos o Rosário segundo este programa elaborado por fr. Lawrence Lew O.P. o nosso Promotor Geral do Rosário».

Fr. Gerard Timoner OP, Mestre da Ordem.

 

No dia 29 de Abril, reunamo-nos nas nossas comunidades ou na nossas casa  para rezar os cinco Mistérios Gloriosos do Santo Rosário, às 9 da noite da noite, hora local. Se possível partilhem por video na internet.

Assim, em todo o mundo, na festa de Santa Catarina, todos os dominicanos e os seus amigos se unirão para rezar o Rosário contra esta pandemia.

Rezemos pelos enfermos, pelos serviços de saúde, pelas famílias dos doentes, pelos que sofrem económica, social e psicologicamente; pela protecção e pela cura.

Depois de cada dezena, por favor, rezai a oração de Nossa Senhora em Fátima «Ó meu Jesus…»


«Estamos todos no mesmo barco»

MOMENTO EXTRAORDINÁRIO DE ORAÇÃO EM TEMPO DE EPIDEMIA

PRESIDIDO PELO PAPA FRANCISCO

Adro da Basílica de São Pedro Sexta-feira, 27 de março de 2022

«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos. Continue a ler


A comunhão espiritual

Papa Francisco: A todos aqueles que estão longe e acompanham a Missa por televisões, convido a fazer a comunhão espiritual.

Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no vosso e na Vossa santa presença.

Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, desejo receber-vos na pobre morada que o meu coração vos oferece.

À espera da felicidade da Comunhão sacramental, quero receber-vos em Espírito.

Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós.

Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte.

Creio em vós, espero em vós.

Eu vos amo.

Assim seja


Oração a São José, do papa Francisco

St. Joseph and Son’s Christmas, por Fr Mickey McGrath OSFS (2017)

Protegei, Santo Defensor, este nosso país.

Iluminai os responsáveis pelo bem comum, para que saibam – como vós – cuidar das pessoas confiadas à sua responsabilidade. Concedei a inteligência da ciência àqueles que procuram meios adequados para a saúde e o bem físico dos irmãos.

Sustentai aqueles que se dedicam aos necessitados: os voluntários, os enfermeiros, os médicos, que estão na linha de frente no tratamento dos doentes, mesmo à custa da própria segurança.

Abençoai, São José, a Igreja: a partir dos seus ministros, fazei-a sinal e instrumento da vossa luz e da vossa bondade. Acompanhai, São José, as famílias: com o vosso silêncio orante, construí a harmonia entre os pais e os filhos, de modo particular os mais pequeninos.

Preservai os idosos da solidão: fazei que ninguém seja deixado no desespero do abandono e do desencorajamento. Consolai quem é mais frágil, encorajai quem vacila, intercedei pelos pobres.

Com a Virgem Mãe, suplicai ao Senhor para que liberte o mundo de toda forma de pandemia.


Carta do Mestre da Ordem por motivo do coronovírus

Roma, 15 de Março de 2020

O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei?
O Senhor é fortaleza da minha vida, quem me fará tremer?
Ele protege-me na sua tenda no dia do perigo
Ele me esconde no segredo da sua tenda e me eleva sobre uma rocha.
Salmo 27

Queridos irmãos e irmãs da Família Dominicana,

Como sabem, depois da China, a Itália sofre gravemente devido ao covid-19. Alguns membros da Família Dominicana no norte do país contraíram o vírus. Continuamos a rezar por todos os enfermos, por todos os que deles cuidam, por todos os que fazem o possível para encontrar maneiras de superar a pandemia e os seus efeitos adversos.

Juntamente com os irmãos e irmãs de Santa Sabina, desejo oferecer palavras de solidariedade como gesto da nossa proximidade neste momento em que o bem comum requer «distanciamento social».  A nossa missão é construir a comunhão e, no entanto, neste tempo de crise, parece que nos rendemos ao isolamento. Por paradoxo que pareça, manter a distância entre nós significa realmente que nos preocupamos uns com os outros, porque queremos deter a transmissão do coronovirus que já cobrou muitas vidas humanas e colocou em perigo a vida muitas outras em todo o mundo. Mantemos a distância não porque vejamos o nosso irmão ou irmã como um portador potencial do vírus, ou porque tenhamos medo de adoecer;  mas sim porque queremos ajudar a romper a cadeia de transmissão viral.

Quando o sistema de saúde fica sobrecarregado, como aconteceu no norte de Itália, os responsáveis médicos vêem-se na contingência de ter de tomar decisões difíceis – deve dar-se prioridade ao paciente mais jovem e portanto com uma maior esperança de vida face a uma paciente mais idoso? Esperamos e rezamos para evitar que isso suceda em outros lugares, fazendo tudo o que podemos para evitar uma maior transmissão do vírus. Aqui em Itália, como em outros países, é doloroso não celebrar publicamente a Eucaristia, o sacramento de comunhão, num momento em que as pessoas mais deles precisam por causa do isolamento. E no entanto temos que suportar este sofrimento no espírito de solidariedade humana e de comunhão, porque «se um dos membros sofre, todos os demais partilham dom seu sofrimento» (I Cor. 12:36). Neste tempo de quarentena em quaresma, estamos convidados a determo-nos e a reflectir sobre a proximidade de Deus connosco.

Quando se suspende o culto público pelo bem-estar dos fiéis, damo-nos conta da importância da comunhão espiritual. Nestes lugares, é como se experimentássemos um longo «sábado santo» quando a Igreja «se abstêm da celebração da Eucaristia», meditando sobre a Paixão do Senhor e esperando a sua Ressureição (Paschale Solemnitatis, 73-75). Como experiência, recordamos a fome de eucaristia que os nossos irmãos e irmãs em zonas remotas que apenas podem participar numa missa uma ou duas vezes por ano.

Agora, mais do que nunca, necessitamos de encontrar maneiras de romper o isolamento, de pregar o Evangelho do Amor e de comunhão, incluindo no «continente digital» (AGG Biên Hòa 2019, 135-138). Precisamos de lembrar a todos que Jesus permanece connosco mesmo quando temos fome do Pão da Vida. Permitam-me recordar o que já sabemos no fundo dos nossos corações. «Se queremos difundir o Evangelho, devemos estar com as pessoas, junto delas! Devemos cruzar as fronteiras linguísticas, culturais e inclusive ideológicas para difundir a Palavra de Deus. Pelo contrário, se queremos, parar a propagação de algo mau como o coronovirus, devemos manter distância, devemos abstermo-nos do encontro pessoal porque qualquer encontro próximo tem o potencial de propagar o contágio.

A pandemia actual mostra claramente que, para que algo circule, são necessários a proximidade e o encontro pessoal. Quando esta crise terminar, não esqueçamos a lição: se queremos que o Evangelho circule no nosso mundo secularizado, são necessários a mesma proximidade e encontro pessoal. Espero e rezo para os nosso centro de estudos, paróquias e outros centros apostólicos continuem sendo como um «aeroporto», ou seja, um contro onde as pessoas aprofundem o seu conhecimento e a sua fé para que eles também possam «contagiar» positivamente a todos com a alegria contagiante do Evangelho.

Continuamos a rezar pelos doentes e por aqueles que deles cuidam, incluindo na nossa solidão, Deus está connosco, e nunca estamos sós porque todos pertencemos ao Corpo de Cristo.

O vosso irmão,

Gerard Francisco P. Timoner III, OP

Mestre da Ordem


Covid1 – UMA CADEIA DE ORAÇÕES

Caras irmãs e irmãos,
Todos os nossos países estão afectados pela pandemia do vírus COVID19. Alguns de nós perderam parentes ou amigos, outros estão infectados.
Muitos estão em quarentena, incapazes de trabalhar, de viajar, com perda de rendimentos e incerteza quanto ao seu trabalho, preocupados com a família e os amigos. Com medo dos dias que virão.
Também muitos dos nossos irmãos e irmãs vivem com receio da ameaça da praga de gafanhotos que ameaça vários países de África.

Neste momento, temos que cuidar dos mais frágeis, daqueles que estão sozinhos, sejam vizinhos ou parentes, membros das nossas comunidades paroquiais ou do nosso prédio, da nossa rua.
Neste tempo de preparação para a Páscoa do Senhor, muitos não podem participar e receber o consolo da Eucaristia. Ou porque não há sacerdotes, ou porque não podem deslocar-se, ou porque a Eucaristia foram canceladas como medida sanitária.

No entanto, sabemos pela fé que Nosso Senhor nunca nos abandona e que a Sua Mãe intercede por nós.
E devemos fazer com que todos e cada um de nossos irmãos e irmãs sintam que, por mais distantes que estejam, por mais isolados, por mais ansiosos e recessivos que possamos estar, temos confiança no Senhor e em nossos irmãos.

Vamos rezar uns pelo outros. Todos os dias.
Como alguém que telefona aos seus pais ou filhos para desejar-lhes um bom dia ou uma boa noite e que tudo corra bem para eles. Uma oração de companhia, de presença solidária, de carinho. Pois todos somos irmãos em Cristo, o Senhor, e ninguém estará sozinho.

Gabriel Silva OP
Coordenador do ICLDF