Oração do Jubileu


Abertura do Jubileu em Bolonha

Palavras de Frei Gerard Timoner OP, Mestre da Ordem em Bolonha, 06/ 01/ 2021

Acabamos de celebrar a Eucaristia, o sacramento de ação de graças a Deus pela graça da sua Epifania, a sua revelação como “Lumen Gentium”: Luz das nações. De maneira especial agradecemos a Deus por ter doado a nós São Domingos, o fundador e primeiro frade da Ordem dos Pregadores, que nós chamamos com devoção “Lumen Eclesiae”: luz da Igreja. Celebramos com simplicidade, nesta Epifania, a manifestação do amor e da solicitude do Senhor para com São Domingos e para com a Família Dominicana, há mais de oitocentos anos.

O primeiro elemento que Deus criou foi a luz e é maravilhoso o fato de como o movimento de muitas criaturas está influenciado pela luz. Os cientistas chamam este movimento de “fototaxia”, quer dizer: o movimento que se orienta na direção de uma fonte de luz. A fototaxia é positiva quando um organismo, vegetal ou animal, se orienta na direção da luz. Temos fototaxia negativa quando se afasta da luz.

São Domingos é “lumen Eclesiae” porque toda a sua vida se orientou na direção de Cristo, “Lumen Gentium”. Como luz, São Domingos pode ser comparado com a lua, mais do que com o sol. Jesus é a única Luz verdadeira do mundo e como todos nós, batizados em Cristo, São Domingos simplesmente reflete a luz de Cristo. Este é o que os Padres da Igreja chamam de “ministério lunar”, que consiste em refletir a Luz de Cristo, assim como a lua reflete a luz do sol.

Sabemos que a intensidade de luminosidade da luz da lua depende da sua posição com relação ao sol. A intensidade da luz que temos depende, sobretudo, do nosso relacionamento com Cristo. São Domingos é “lumen Eclesiae” porque toda a sua vida está orientada e exposta a Cristo. Nada tem nele que bloqueie a luz que vêm de Cristo, e por causa disso, Domingos reflete esta luz de maneira mais completa e luminosa.

Hoje celebramos a abertura do Jubileu do nascimento para a vida eterna de São Domingos, “lumen Eclesiae”. Em nome da Ordem Dominicana, agradeço sua eminência o cardeal Matteo Zuppi, por ter presidido a celebração desta Eucaristia. Agradeço também pelo apoio constante e total que vem dando para a celebração deste Jubileu e pela sua amizade e proximidade com os dominicanos.

Agradeço também as autoridades civis e religiosas e todas as pessoas que colaboraram para preparar e animar esta Liturgia. Agradeço a Frei Fausto Arici, Prior Provincial da Província São Domingos na Itália, Frei David Pedone, Prior deste Convento, no qual descansam os restos mortais de São Domingos e a todos os frades que organizaram esta celebração. Agradeço a Frei Philip Wagner, Presidente do Comitê para o Jubileu, por ter organizado a celebração jubilar nestes tempos incomuns. Agradeço a Frei Bruno Cadoré, que encaminhou esta preparação junto com Frei Gianni Festa, Postulador Geral da Ordem.

Obrigado a todos vocês queridos irmãos e irmãs. Meus votos de uma boa celebração do Ano Jubilar!

Frei Gerard Timoner OP

(via Justiça e Paz OP-Brasil)


Abertura do Ano Jubilar em Roma

A cerimónia de abertura do Ano Jubilar por ocasião dos 800 anos de falecimento de São Domingos de Gusmão (1221-2021), pode ser acompanhada directamente da Basílica de São Domingos, em Bolonha, através desta ligação a partir das 19.00 em Portugal:

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Mensagem de Natal do Mestre da Ordem

4º Domingo do Advento

Roma, 20 de Dezembro de 2020

Prot. 50/20/614 Cartas à Ordem

 

 

Caros irmãos e irmãs,

O Natal, seja numa época de pandemia ou de prosperidade, é uma celebração da proximidade impenetrável de Deus que habita com e entre nós; uma acção de graças ao nosso Deus generoso que se dá a si próprio como presente.

Este ano do Senhor 2020 é verdadeiramente inesperado, sem precedentes, inesquecível. A maioria de nós celebrou o Tríduo da Páscoa, confinado dentro de portas trancadas; os nossos corações cheios de ansiedade sobre um futuro incerto. Mas depois, virámos os nossos pensamentos e pusemos os olhos da nossa fé para o nosso Senhor Ressuscitado que entra por portas trancadas, cumprimenta-nos com a sua paz e desafia-nos a não ter medo. Continue a ler


Dominicanos pela paz

51 ligações e cerca de 65 pessoas participaram no evento realizado no dia 5 de Dezembro pela equipe de Justiça e Paz relativo ao Mês Dominicano para a Paz, este ano dedicado à difícil situação na Ucrânia.

O evento realizado através da plataforma zoom iniciou-se com um cântico apresentado pelo Fr. José Manuel Silva, e uma introdução pelo Promotor de Justiça e Paz da Província frei Rui Grácio e saudação da Presidente do Conselho da Família Dominicana, Aurora Rocha. O Prior Provincial Fr. José Nunes fez uma apresentação sobre a relevância e centralidade da questão da paz no âmbito da missão dominicana. Seguiu-se uma leitura do profeta Isaías pelas Fraternidades Leigas de São Domingos e um Salmo rezado pelas Irmãs de Santa Catarina de Sena. O Evangelho foi proclamado pelas irmãs Missionárias do Rosário.

O frei Vasyl Goral, frade dominicano da nossa província, mas nascido na Ucrânia fez uma muito elucidativa conferência explicando as origens e actual situação na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, bem como as questões internas ucranianas e a questão das minorias pró-russas e suas implicações mesmo ao nível das diferentes igrejas cristãs. Os participantes rezaram em comum o Pai-Nosso seguindo-se uma apresentação de uma iniciativa de apoio a quem mais sofre, que são as crianças na Ucrânia, vítimas da guerra e em que os dominicanos ucranianos (frades, irmãs e leigos) estão envolvidos. O evento terminou com uma oração partilhada pelo Movimento Juvenil Dominicano e um cântico final.


Convite

A Comunidade das monjas da Nossa Senhora da Eucaristia, em Lamego, faz participar aos nossos amigos , benfeitores e irmãs na religião da missa de Acção de graças das nossas duas irmãs: Madre Vitória e Irmã Conceição, apesar das circunstâncias difíceis que nos envolvem. estamos todos unidos em Cristo:  No dia 8 de Dezembro pelas 8:30 no período da manhã.

Ir. Maria da Glória OP


Lançamento de livro de Fr. Gonçalo Diniz

 
 
O Fr, Gonçalo Diniz, actual Prior do Convento do Porto, defendeu com êxito, o ano passado, a sua tese de doutoramento. Ela foi agora publicada pela Universidade Católica, com o título «O clamor do não-homem», e o lançamento público será on-line, dia 3 de Dezembro, às 18h. O Professor da UCP Jorge Cunha fará a apresentação do livro.
 
Os interessados em participar no evento de lançamento poderão inscrever-se aqui.
 
Fr. José Nunes op.

 

 


Mês Dominicano pela Paz – 2020

 

Tópico: MÊS DOMINICANO DA PAZ
Entrar na reunião Zoom. l~Link: _ t.ly/1MFV
Senha de acesso: 735323

Depois de três anos, o Mês Domnicano pela Paz tornou-se uma parte regular do programa anual da Família Dominicana. No período do Advento 2020, o enfoque será sobre um projecto de crianças dominicanas na Ucrânia.

Desde 2014 e mesmo no meio da escalada da pandemia da COVID-l9, a guerra com a Rússia e os separatistas ainda grassa no regão oriental de Donbass. No entanto, as pessoas em todo o país sentem os impactos da guerra. Os dominicanos estão muito envolvidos em vários processos e projectos que promovem a paz e o acompanhamento das vítimas do conflito. Na busca da paz, os dominicanos na Ucrânia estão a participar em vários projectos para jovens.

Um projecto em particular será o foco do Mês Dominicano pela Paz, para fornecer apoio espiritual e financeiro. Trata-se do Centro St. Martin de Porres em Fastiv, que, há muitos anos, tem vindo a cuidar de crianças socialmente desfavorecidas: órfãos, crianças de rua, crianças doentes e crianças de famílias desfavorecidas. Desde o início das hostilidades na Ucrânia Oriental, o Centro abriu as suas portas a crianças cuja infância foi envenenada pela guerra. Adoptou mais de 220 crianças da zona de combate, e ofereceu-lhes apoio psicológico e espiritual e a oportunidade de recuperarem num ambiente seguro.

O Mês Dominicano para a Paz 2020 começa no Primeiro Domingo do Advento (29 de Novembro), decorre durante todo o mês de Dezembro, e culmina no Dia Mundial da Paz da Igreja, a 1 de Janeiro.


Mês para a Paz – A situação na Ucrânia

 

O Mês Dominicano pela Paz é um evento anual da Família Dominicana, iniciado pelo Mestre da Ordem em 2016, na sequência das celebrações do Jubileu do 800º aniversário da Ordem dos Pregadores, que exigia uma renovação da pregação. No espírito de São Domingos, procura mostrar solidariedade com os homens e mulheres dominicanos que promovem a paz num mundo dilacerado por muitas formas de violência e guerra. Depois de se concentrar na Colômbia em 2017, na República Democrática do Congo em 2018 e na Índia em 2019, o Mês Dominicano pela Paz este ano volta-se para a Europa e apela à solidariedade com a Família Dominicana na Ucrânia.

GUERRA, REPRESSÃO E DESLOCADOS NA UCRÂNIA

Desde Abril de 2014, após a revolução ucraniana, a anexação da Crimeia pela Federação Russa e os protestos de grupos separatistas apoiados pela Rússia que lutam nas regiões de Donetsk e Luhansk do leste da Ucrânia (colectivamente chamados “Donbass”) continuaram. Centenas de cidades e povoações foram ocupadas por tropas lideradas pela Rússia.

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Frei Pedro (19/03/1940 — 09/11/2020)

Afinal, os seus olhos já eram o céu e o seu sorriso eternidade. A sua bondade era a esperança que nos guiava, corrigia, que nos interpelava para sermos melhores.

Por vezes, a sua presença pacificadora bastava, para devolver-nos a paz.

Escutava como ninguém e constantemente dizia-nos para escutar. Escutar verdadeiramente, com cuidado e tempo oferecido, como quem se põe no lugar do outro.

Mas não era só o escutar, era a acção concreta, era a construção de pontes, era a abertura ao diálogo e à ponderação.

Era serenidade, sensatez, simplicidade.

O importante para si era cuidar do rebanho, de ovelhas ou de homens, chamá-lo pelo nome, alegremente, com a doçura e proximidade que a relação provoca.

Era a imagem de Jesus. Era a santidade concreta. Era a alegria interior de quem vive para e com Deus.

Era paciência. Era tanta paciência, daquela carregada de paz e entrega!

Era abandono, desapego. Era fé, esperança e caridade.

Ficamos infinitamente mais pobres, mas incrivelmente ricos com o testemunho de vida que nos deixa.

Meu tão querido Frei Pedro, obrigada. Obrigada.

Leonor Mexia Kendall

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Faleceu esta manhã, no Porto, o m/ querido Frei Pedro O.P.

 Alguns de vós tê-lo-ão conhecido mais vaga ou superficialmente; outros terão podido sentir a doçura do seu sereno, quase tímido, olhar.

 Numa ordem religiosa de pregadores brilhantes, ele era um discreto e sólido porto seguro, o mais fiel rosto de Deus Pai. Assentava-lhe bem o nome que escolheu. Não que fosse uma espécie de calhau frio, mas, antes, como que um penedo, sólido, que nos apontava o céu e sobre o qual poderíamos construir uma comunidade; fosse uma simples e juvenil Equipa de São Domingos, fosse um convento, fosse uma vasta província de uma grande ordem religiosa.

 Não lhe faltavam dotes de pregador, mas não eram eles que sobressaíam…, sereno, calmo, afável, sempre acolhedor, humilde, poderia passar discreto, poderia alguém não reparar nele, mas, quem reparasse, descobria um tesouro.

 Como escreveu a sobrinha ao dar a triste notícia, o seu «sorriso amigo, o espírito alegre e o olhar que transmitia paz permanecerá sempre nos nossos corações». Justamente; sem dúvida, permanecerá no meu! Com uma enorme saudade.

 Concluiu a sua longa jornada, particularmente difícil na sua parte final do percurso. Como semeador da parábola, foi deixando cair sementes ao longo do caminho. Agora concluiu-o e chegou à casa do Pai. A lágrima que verto não é por ele, é por mim, porque não o visitei enquanto peregrino; nem enquanto doente. Mas ele, sim, esteve presente quando o chamei.

 Em Algés, a missa das 19:00h hoje, dia do S/ passamento, será celebrada por intenção dele. Não creio que ele careça de grande sufrágio, mas, orando por sua intenção evocarei(mos) o S/ testemunho e rezaremos por nós próprios e pela falta que ele nos faz.

 Pedro Cruz, 2020/11/09

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(…)O seu bom-humor parecia nascer da alegria transbordante de ter Cristo como irmão e de reflectir na relação com qualquer pessoa a mesma fraternidade. Foi das pessoas que mais me ensinou sobre o que é ser cristão no quotidiano, sem precisar de dizer nada, dando o exemplo sem na verdade o procurar dar. Foi um homem bom e discreto nessa bondade. Talvez porque soubesse que essa bondade não era “dele”, era de Deus. (…)confesso que em tempos recentes pensava que ainda o voltaria a ver, recuperado. Assim não foi. O fr. Pedro partiu hoje deste mundo para outra morada, mas permanecerá connosco. Que Deus o acolha.

Sérgio Dias Branco, op

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Bem aventurados os puros de coração, os que reconhecem no mundo e nos outros a bondade que transfigura o seu olhar, os simples e humildes (tão humildes), os acolhedores e facilitadores, os que confiam sem reservas e sabem que a missão do reino é mesa e responsabilidade partilhadas. Bem aventurados os que se apagam e se tornam despercebidos para que outros brilhem quando esse é o bem maior.

Querido Frei Pedro,

Não esquecerei como fez da sua a minha casa, no dia da minha Missa Nova, e aceitou estar como um mais, como um convidado.

Não me esqueço do espaço dado em alguns momentos para que pudesse levar “aos seus” um pouco do carisma que me guia. Sem reservas, em escondimento e alegria sincera.

A Igreja da terra perde um homem bom que estará no céu a fazer-nos bem, sorrindo e sem barulho.

Aleluia.

José Mª Brito, SJ