Santa Zdislava de Lemberk

01.04 S. Zdislavæ de Moravia (de Lemberk).jpgConhecida como Zdislava de Lemberk ou  Zdislava Berkiana ou ainda Zdislava Berka (1215-1252, festa a 4 de Janeiro)

Santa Zdislava nasceu em Křižanov, numa família abastada da Morávia (actualmente na República Checa) em 1215. O seu pai era o comandante militar de uma fortaleza situada entre Viena e Praga e onde Zdislava cresceu. Durante a sua infância, a Boémia era uma zona de guerra pois que os mongóis vindo do leste europeu continuavam a tentar avançar naqueles territórios. Juntamente com a sua mãe, Zdislava atendia aos indigentes e mais pobres que diariamente se apresentavam nas portas do castelo. Zdislava foi crescendo não apenas na fé mas também na caridade para com os mais necessitados, sempre recitando alguma oração enquanto preparava remédios caseiros junto com a sua mãe.

Na idade adulta, Zdislava casou com um militar e tiveram quatro filhos: Havel, Margarita, Jaroslav e Zdislav, a quem muito se dedicava. O seu marido era o Duque Havel de Lembert, mas o seu casamento não era feliz. O Duque era boa pessoa, mas devido à sua profissão militar e à dureza da sua condição e modo de vida, era bastante rude e com mau feitio. Ele levava a sua condição aristocrática muito a sério e exigia que a sua mulher usasse vestidos sumptuosos para marcar a sua posição social e participasse nas festas cortesãs e demais superficial vida social.

Atendendo à sua disposição interior para a oração, a sua vida como esposa de um duque e como mãe era bastante difícil, mas ela foi-se disciplinando para de alguma modo espiritualizar a forma de vida que se sentia obrigada a viver.

Zdislava ansiava e sentia-se chamada a devotar-se inteiramente a Cristo. Para desgosto do seu marido, Zdislava gastava muito do seu dinheiro ajudando os mais necessitados. Ainda assim, ela convenceu o seu marido a construir alguns hospícios para apoiar os refugiados que haviam fugido às invasão dos tártaros e mongóis. A sua acção caritativa desde cedo se tornou objecto de admiração e modelo por todos os que tinham dela conhecimento nas terras vizinhas.

Dois dos primeiros frades da recente Ordem criada, os dominicanos São Jacinto e o Beato Ceslau forma enviados por São Domingos para aquela região e forma prontamente recebidos e apoiados por Zdislava que acolheu aquela nova forma de vida de pregação e pobreza como uma resposta aos seus anseios de uma vida cristã mais perfeita. ela tornou-se protetora da Ordem, tendo apoiado uma primeira instalação dos frades na vizinha paróquia de São Lourenço perto do seu castelo e onde recebia comunhão diária (uma prática muito pouco comum à época),  e mais tarde muito apoiando a criação do Convento de Jablonne e um segundo em Turnov.

Pouco tempo passado da instalação dos frades, Zdislava veio a falecer no convento de Jablone no dia 1 de Janeiro de 1252. As pessoas que a foram velar e  que se ajoelhavam ao lado da cama onde havia falecido podiam ver os monumentos da vida cristã que Santa Zdislava tivera: os seus filhos, a sua igreja e a inspiração de uma santa esposa e mãe. Zdislava terá aparecido ao marido em glória após sua morte e influenciou fortemente o desejo de conversão do seu marido. Inúmeros milagres foram atribuídos a Santa Zdislava Berkiana, tanto durante a sua vida como após sua morte.

Santa Zdislava foi beatificada pelo Papa S. Pio X a 28 de Agosto de 1907 mediante a confirmação do seu culto que se manteve durante centenas de anos;  e foi canonizada por S. João Paulo II a 21 de Maio de 1995. É a santa patrona dos casamentos difíceis e daqueles que são ridicularizados pela sua piedade.

O que aprendemos de Santa Zeislava é que um grande amor a Cristo não requer viagens para sítios longínquos ou realizar coisas extraordinárias, requer apenas servir aos necessitados com amor extraordinário – amor por Cristo manifestado no serviço aos outros. Cada um de nós pode seguir esse modelo nas nossas próprias vidas. Oremos para que Santa Zdislava, por sua intercessão, possa ajudar cada um de nós a buscar a perfeição no  nosso amor a Cristo nas nossas próprias famílias e na vida quotidiana.

Traduzido e adaptado do Próprio da Ordem por Gabriel Silva.

Nota do tradutor:  Na iconografia e nas hagiografias de Santa Zdislava é sempre apresentada envergando o hábito de Terceira Dominicana e referindo-se que pertencia à Ordem terceira dominicana. Sucede que na altura do seu falecimento não havia ainda sido criado tal hábito nem criada a Ordem Terceira. Em qualquer caso isso em nada invalida que Santa Zdislava não seja (como a própria Igreja e a Ordem o confirmam), e não tenha sido uma verdadeira leiga dominicana, pela sua vida de fé, de dedicação, apoio à Ordem e vivência no espírito de São Domingos de anúncio do Evangelho. Desde o início da Ordem muitos leigos (vários beatificados/canonizados), viveram  e colaboraram na «santa pregação» de São Domingos e dos seus frades, ainda antes da institucionalização da futura Ordem Terceira, que precisamente deve a sua criação à necessidade de enquadramento canónico desses inúmeros leigos.


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